escrevendo, escrevendo, escrevendo por minha vida.





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árvore, ar, amora, amigas, amor, afeto (sem açúcar!), atenção, água, abraços brincadeira, beijo, buceta, boa-vontade, boniteza, bem-me-quer carinho, cuidado, camisola, compartilhar, comida, completude, companheirismo, contato, coerência, chuva dedicação, dedos, desapego, desprendimento, descanso, dissonância, derrepentemente escolha, esperança, espaço, esforço força, fogo, fortaleza, fofura, felicidade, falar, flores gozo, gentileza, gostar, gritos hoje, hidratação, horta, honestidade individualidade (preservada), implicação (nos processos), integridade, inocência, incoerência, indagas júbilo, juntas, juventude liberdade, laços, lubrificação mais do que eu gosto, muito mais, menos do que não quero, mãos-dadas, massagem, música, movimento, maciez nuca arrepiada, nuvens, nós desfeitos, nuances, negritude ouvir, ócio, orgasmos, orgasmos, orgasmos paixão, plenitude, pijama, pausa querência, qualidade-de-vida, quebra de protocolo respeito, risada, reconquista, retome, ruídos sussurro, singeleza, simplicidade, sinceridade, suspiros, sonhos!, semente, saúde do assoalho pélvico!, sono macio tranqüilidade, tesão, transformar, tempo, toque, terra unicidade, união, unhas rentes, vorazmente, vulva y vagina xícaras de chá, xaveco zelo

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Monday, May 18, 2009
crucial

cotidiana 08

por um desejo torto como as árvores do cerrado!
pornografia, uma questão feministai

nessa segunda semana de maio, diária, fizemos a primeira reunião pró/pré-corpuscrisis 2009. com a coletiva se rearticulando depois de 04 anos de trabalho juntxs, num momento muito especial de novas aproximações polítcafetivas y encontros com outras coletivas y mulheres (tipo minha ida a recife, a viagem das gringas pra peru-bolívia-chile-argentina, a conclusão de mestrado da lice etc) – apesar a partir de tantos descaminhos y desencontros, nos achamos mais uma vez. corpuscrisis é uma coletiva de micropolítica megalomaníaca feminista, que sabota o patriarcado racista de capitalismo especista cisgênero cristão heterossexual devastador, desertificante y que não sabe dar risada. começou em 2004 com inspirações, influências, heranças do zine la carnissa y do carnaval revolução, finadxs; sole acontecer no feriado móvel de corpuschristicrisis; tem essa proposta periférica de ser divertido, dançante, emocionante, combativo, faça-você-mesma, autônomo (apesar de toda carga individualista que a gente tenta apagar, rola um esforço de ressignificar autonomia como uma capacidade de precisar do maior número possível de pessoas pra funcionar. depois de conversar com a lice sobre isso, a gente meio que combinou que é perda de tempo tentar ressignificar alguns termos, mais massa seria achar ou criar outro – coisa que uma outra alice, a walker, falou um pouco depois de plantar a palavra mulherismo (tradução de womanism) –, y rapidinho lembramos de "simbiose", que além de ser mais gostoso de falar evoca uma carga orgânica, de natureza! essa, outro tema que tem me preenchido bastante os pensamentos/conversas, principalmente com lice mas também com michelli: sobre a adesão de alguns feminismos a uma idéia de essencialismo estratégico que retoma o antigo debate divisor de mulheres y homens – desde/para a oposição que foi cimentada entre

natureza X cultura

negritude X brancura

sujeira X assepsia

barbárie X civilização

pra que seja criada mais y outra vez –, reforçado na reivenção, na tentativa de vencer por insistência. mas repetir uma mentira trinta bilhões de vezes não constrói uma verdade, por mais que às vezes pareça, desesperadamente, que sim. como o lado esquerdo daquelas divisões polares tem sido histórica-culturalmente desvalorizado, depreciado, colonizado, conquistado, a parte estratégica do tal essencialismo (que ou aposta em algum tipo de determinismo – espiritual, cultural, biológico. ou o aceita didaticamente como ponto de partida – até mesmo pra um seu desmonte –) dá um pulo da gata no sentindo de se reapropriar, com orgulho, dessas ditas vulnerabilidades pra que sejam transformadas em fortaleza.

"eu recebi seu tik
quer dizer, kit de esgoto a céu aberto
e parede maderite
de vergonha eu não morri
tô firmão, eis-me aqui
você não, você não passa
quando o mar vermelho abrir
eu sou mano, homem duro do gueto, Brown Obá
aquele louco que não pode errar
aquele que você odeia amar
nesse instante
pele parda e ouço funk
e de onde vêm os diamantes?
da lama."ii

essa é a ferramenta de muitos movimentos identitários, do "negro é lindo" ao "we can do it" às paradas de orgulho lgbt y a fuga do armário como ferramenta de luta, que nos trazem mais uma vez ao famoso "o pessoal é político", abrindo uma fenda pra falar sobre pornografia depois dessa introdução longa e desse parêntese enorme)

eu nunca tinha gostado de me masturbar, antes.

a pornografia é um dos projetos pedagógicos do patriarcado, é um sistema formal de educação sexual que se presta a determinados fins. se vivemos em um pedaço de mundo que é heterossexista, falocentrado y misoginamente violento, então assim será boa parte da produção pornográfica (a parte "hegemônica", "canônica", "clássica" ou "que vende mais"). alguém pode dizer que é só uma questão de imaginário, um conjunto de ilustrações, um mecanismo de sublimação de desejos que, depois de filmados ou fotografados ou desenhados ou pintados ou escritos ou falados, vão ficar fechados ali naquele formato – o que impediria de que eles fossem "realizados", como se pensamento y ação fossem dois mundos incomunicáveis quando a gente pode saber, se quiser saber isso, que ação y pensamento não só bebem água na mesma fonte quanto dão-se água uma ao outro. pelo menos desde os anos 70 – que é a década seguinte aos movimentos ocidentais de liberação sexual – algumas feministas, em grupos ou individualmente, têm se movimentado pra:

  1. criticar a pornografia hegemônica como lugar de reprodução de violências, especialmente contra mulheres;

  2. criticar a pornografia hegemônica pela separação que faz entre protagonistas do desejo ("homens") y objetos do desejo ("mulheres"), ao mesmo tempo em que define um tipo muito estreito de desejo;

  3. propor novos fazeres pornográficos, em que a violência contra mulheres não esteja misturada às esferas de produção y execução pornográfica;

  4. pensar pornografias que dêem conta dos desejos das mulheres: quem somos? que corpos temos? como gozamos? com quem gozamos? o que nos dá tesão? que tipo de representação podemos fazer a partir dessas descobertas etc

quando conheci ela, amei ela ser roliça. não gordinha, mas roliça mesmo. os braços bem roliços, as pernas roliças, a cintura não muito estreita, o pescoço. toda carnuda, a pele como uma embalagem justa.

além desses pontos, há muitos outros que passam por algum filtro feminista; mas hoje escolhi esses pra escrever sobre. a pornografia que mais vende nas bancas, nas locadoras, nos sites de internet, insiste em representações de sexo que precisam ter um par oposto/complementar com hierarquização dos papéis, dos desejos, das práticas: pra um ativo existe uma passiva, quando se trata de pornografia ht; ou pra um efeminado passivo existe um machão ativo, quando é material gay; ou pra uma butch ativa existe uma femme passiva, pro caso de pornografia lesbiana. tenho procurado mais filmes de lésbicas em que essa relação seja desfeita, mas geralmente é isso aí mesmo. recentemente vi um filme muito bonito, felizmente, que me fez ter mais esperança. mas o que de fato essas "ficções" fazem é não só comprovar, mas reafirmar um esquemão heterossexista de relação em que o papel "mulher" ou "homem" vai se infiltrar em outras combinações que não o envolvimento ht, fingindo então ser absoluto, natural, invariável: o modelo copiado, com os ajustes necessários.

finge tanto essa absolutidade até que ela pareça verdadeira! então ela se espalha pra outros pedaços de nossas vidas, como quando você tá no bar y acha uma menina muito atraente, mas fica ressabiada de chegar nela porque você não é "feminina" o suficiente – isto é, patricinha –, então ela, que é "um bofinho", não vai querer nada com você. essa possibilidade não é a pior; acho bastante triste, também, quando mulheres que se aproximam mais da "feminilidade" olham pras "bofinhos" com ar de desprezo y tecem comentários do tipo "eu nunca ficaria com essa mina, se eu quisesse homem ficava com um". não quero dizer que é a pornografia que inventa essas divisões, mas quero dizer sim que ela é um dos mecanismos, quando não o mais explicitamente eficiente, pra dizer que essa separação dá certo, é verdadeira, e que dela depende todo o funcionamento da máquina de relações humanas: porque a pornografia fala sobre desejo.

quando vi ela entrando na sala no meio daquelas outras mulheres queridas, lindas, sorridentes, foi que nem num filme bobo de sessão da tarde: os barulhos ficaram mais baixos, a cena em câmera lenta.

desejo, esse pulsar obscuro que, herdeiro do "instinto", se torna inquestionável. daí vira uma questão de "desejo" ou "gosto", o outro nome que "desejo" ganha: "não é preconceito, é só questão de gosto, e eu não gosto de mulheres masculinizadas". trazendo pra outros termos, a afirmação daria cadeia: "é só questão de gosto, eu não gosto de mulheres negras", por exemplo – não esqueçamos que racismo é crime, mas a misoginia ainda não é. e, sim, insisto!, a gente pode não saber que tá agindo com essa motivação, mas desde o taxar uma mulher que tem cabelo curto, usa calça y camisa social, boné, tênis como "masculina" até o afirmar que ela "é masculina" e quer ser homem há um chão misógino fundamental. porque a aversão ao feminino, às mulheres, não se dá só na forma de violência física, ou as referências a nós como "rachas", nem às "piadas" que insistem que somos burras ou frágeis demais ou neuróticas, mas ela também mora na lesbofobia ao reforçar papéis determinados às mulheres, confinando nossa expressividade estética, ou de vestuário, ou comportamental, a um modelo totalizante. como se houvesse um jeito "certo" de ser lésbica (uma preta andou insistindo comigo que há um jeito "certo" de correr, y como ela tem lua em touro eu não quis insistir (taurinas podem ser muito teimosas)).

e a pele dela... os poros da pele. os poros da pele da coxa, mais escuros do que a pele toda. a pele com algum tipo de cor negra como um pingado com mais café, mas café-com-canela, e uma colherzinha de chocolate, pra ficar doce. marrom escuro avermelhado brilhante e doce.
comecei a sonhar acordada com a coxa dela se enchendo de pequenos montículos de contato brotando no escuro dos poros, quando eu encostasse sem malícia pra contar a parte mais crucial da conversa.

obviamente que muitas lésbicas ditas bofes agem mesmo como macho escroto, e acho que isso tem a ver com o que franz fannon chamou de "dupla consciência": quando a opressão é internalizada, passando a fazer parte de nossas práticas. desconfio com tristeza que a pornografia é uma dessas práticas de internalização de consciência opressivas quando ela opera de modo a naturalizar não só um desejo misógino, mas a própria noção de que o desejo é absolutamente natural. do jeito que ando hippie, consigo sentir que "desejo" tem a ver com trocas energéticas, até espirituais mesmo, mas não sou leviana a ponto de achar que não tem nada a ver com elaborações sociais cabulosas, insistentes, seculares. não acho surpreendente não ser considerada uma mulher atraente, apesar de me saber-ver-sentir-perceber-achar linda, gostosa, interessante, y muito sensual, porque há uma máquina antiga que funciona pra dizer que bonitas gostosas atraentes sensuais são mulheres brancas, louras, magras, de cabelo liso, y não uma negra gorda como eu.

nos sonhos ficamos sempre conversando. ela ri, eu rio, mas posso pegar mais demoradamente na coxa dela, posso falar que acho lindo os poros serem tão grandes, que gosto dela ter muitos pelos.
no sonho ela pergunta se gosto mesmo de pelos, e eu respondo passando a mão na perna dela desde o joelho até onde o short enforca um pouquinho a coxa.

só que a indústria pornográfica é esperta, sabe ganhar dinheiro com tudo. inclusive com corpos desviantes do tipo que vende como ideal, ou com condutas tidas como bizarras: bestialismo, coprofagia, s/m. o sadomasoquismo é uma dessas vedetes da "subversão". "urrul, isso é muito massa, subverte pra caramba, porque as mulheres que são sempre inferiores socialmente, que só ocupam papéis subalternos, vestem-se como dominatrix y mandam na/o parceira/o".

mas é um sonho, não quero que o short seja de lycra, então vira um shortezinho branco folgado, confortável, de domingo, por onde eu poderia enfiar mais um pouco os dedos.

mas não faço isso porque não sei se ela quer, nem sei como perguntar. no sonho eu perguntaria se ela depila a buceta, o que ia fazer a gente rir mais um monte de risadas soltas, mas explosivas, um pouquinho carregadas de desejo.

será mesmo simples assim? é mesmo subversivo pra caralho buceta? ou é mais um mecanismo de conformação à subalternização/hierarquização, porque cria uma válvula de escape (sexual) a elas, anestesiando outras necessárias subversões (não sexuais)? me pergunto, mesmo: o que a gente quer é só inverter papéis entre quatro paredes? ou a gente quer sentir outras formas de desejo, que não erotizem as desigualdades de poder, fazendo nascer prazer de lugares y relações não-viciadas, novas, descobertas em conjunto (duplas ou trios ou uma galera mesmo, mas também na deliciosa masturbação eu-y-eu)? digo "a gente" porque desejo y pornografia não são só questões "pessoais": não podemos perder de vista que vivemos em comunidade, y se algumas práticas que temos feito (deliberadamente ou só por estar no fluxo) insistem, sustentam, recriam ou reforçam situações que, no imaginário ou nas relações efetivas, dividem violentamente as pessoas em grupos de oprimidas y opressoras, então temos que assumir a responsabilidade de repensar essas práticas, questioná-las, criar outras.

meu desejo não tem nome, não é que quero pegar na buceta dela nem que ela pegue na minha.

é que eu queria que ela pudesse entrar dentro de mim pra sentir minha cabeça ficando arrepiada do lado direito, só do lado direito, quando vou subindo a mão pelos poros da coxa dela, também virando pequenos montes arrepiados de negrura e desejo, até parar um pouco depois debaixo do tecido leve.

pornografia é educação sexual explícita; mesmo que não tenhamos nunca assistido, o homem desconhecido que passa a mão no seu peito na rua, ou o homem conhecido que não respeita seu "não" y continua forçando até te violentar, têm o respaldo de uma escola antiga que diz pra eles que SEMPRE estamos disponíveis sexualmente, e que quando dizemos não estamos na verdade querendo dizer sim: tá nas novelas, na capa das revistas, nos vídeos impróprios pra menores, nos contos, nas piadas, em todo lugar. (infelizmente não são só homens que pensam isso de mulheres, y há muita reprodução de violência nas relações lesbianas. até a lei maria da penha tem um tópico sobre isso.)

além de ensinar determinadas coisas, ela não-ensina outras. não ensina o respeito pelo corpo da outra; não ensina que algumas coisas a gente só vai saber perguntando mesmo, apesar de toda a "química"; não ensina que penetração anal precisa de muita preliminar; não ensina que relação sexual não é só penetração pênis-vagina (com um conseqüente ensinamento idiota de que tudo que acontece além dessa penetração é "preliminar" ou "não é sexo")... agora, a culpa é da pornografia? foi a pornografia que inventou a violência? é leviano pensar que, simplesmente, sim. porque aí parece que o próximo passo é eliminar a pornografia e pronto, tudo vai se resolver. mas essa solução, além de deixar arrepiadas (não eroticamente) aquelas que têm horror a qualquer tipo de censura, pensa a conseqüência como causa. pornografia hegemônica é um recurso de um sistema muito estruturado de distribuição de poderes, saberes, fazeres. algumas vão pensar em outras formas de fazer pornografia como contra-ferramenta, pra sabotar y destruir esse sistema. uma tentativa nesse sentido foi a criação da coletiva pornós, que começou no carnaval revolução de 2003 ou 2004, numa oficina sobre pornografia y feminismo, resultando em muitos desenhos, poemas, vídeos, y finalmente uma coletiva, mesmo, que depois saí então não sei como anda nem o que aconteceu. outro projeto desses é o http://girlswholikeporno.com/ ("garotas que gostam de pornô ponto com"). tem algumas questões, mas é bacana. recentemente descobri o ifeelmyself.com ("eu me sinto ponto com"); também tem lá suas questões (que considero graves, tipo: cadê as mulheres não-brancas? cadê as bucetas não-depiladas?), mas tem alguns vídeos lindíssimos y é um site pra documentar orgasmos femininos. demais!!

me arrepio de pensar na fenda entre a coxa e a buceta, mais escura ainda que os pequenos poros enormes dela, de onde os pelos vão ficando mais grossos e embaraçados.

devo confessar que ainda não consegui sentir tesão, diária, ao ver esses filmes/sites. ficou no plano da apreciação estética, mesmo... mas tenho essa coisa com pornografia como didática, que acaba funcionando a ponto da quase plena alienação erótica. estranho demais, principalmente pra uma pessoa como eu, que tá sempre falando de retomar as conexões perdidas, roubadas, colonizadas, fragmentadas pelas instâncias diversas da vida. eu sei que parece estranho, mas também pode ter mais a ver com uma noção muito intimista de prazer sexual do que com uma assimilação de rupturas externas. tipo, pra mim, considerada por opiniões anônimas como uma pessoa bastante mergulhada no esquemão de romance romântico, prazer sexual tem a ver com partilha, com compartilhar meu orgasmo, meu desejo. não com uma pessoa aleatória, mas costuma ter a ver com algumas pessoas bem específicas. como se eu precisasse de um canal por onde filtrar meu desejo, um canal humano, conhecido.

então fica difícil criar essa empatia com pessoas desconhecidas, distantes, que tão aparecendo numa tela brilhante. também já aconteceu de eu dar conta de ficar excitada lendo alguma coisa (quadrinhos ou não), e sem querer racionalizar demais isso, acho que pode ter alguma coisa a ver com o suporte abrir mais espaço pra interação imaginativa, pra formatar dentro da minha cabeça os corpos, os fluidos, os ruídos... criar uma superfície de contato mais minha, que não tenha a ver com aqueles corpos ali já dados: ter espaço pra construir meu desejo. também a mesmice dos corpos me faz ver a maioria das pornografias bacanas a que tive acesso com olhos mais analíticos que ávidos: não é só trocar os corpos magros pelos gordos que vai fazer funcionar – tenho medo mesmo de que isso possa cair no fetiche do "bizarro" já citado. vi recentemente um vídeo "lesbiano" de duas mulheres negras que me deixou triste. não só porque nossa sexualidade já tem sido explorada demaaaais pro prazer alheio, mas principalmente porque entendi uma coisa importante: desejo não se fabrica, não se finge. acho que não tem escola de teatro que ensine a fingi-lo.

na penumbra do meu quarto bagunçado os olhos dela parecem pretos, mas são castanhos. ela pode ficar tremendo de vergonha e vontade de me beijar sem que a gente se beije. na penumbra, minha respiração caminha com a dela até ficar ritmada numa respiração nossa.

ou ele tá ali, ou não está. eu quase nunca vejo um filme em que o desejo me pareça verdadeiro, em que as pessoas envolvidas na cena estejam envolvidas uma com a outra, com seus prazeres, com trocar fluidos y compartilhar afetos eróticos. pelo contrário, há uma fuga constante dos olhares pra câmera, há uma auto-análise da performance quase o tempo todo. como se a pessoa estivesse trepando com ela mesma, só usando a outra como adereço ou parte do cenário. quando são as duas pessoas agindo assim, então, é quase cômico – mas aquele cômico carregado, triste–; qualquer semelhança com a vida real é mera insistência...

penso muito em fazer filmes pornôs feministas como uma pedagogia outra, uma contra-pedagogia, que abra espaço pra desejos femininos, lesbianos, mais livres. penso em fazer um filme em que duas mulheres ficam molhadas só de conversar uma com a outra, num dia de sol, sobre um gramado. o quadro bem fechado no quadril delas não porque quero repetir o esquadrinhamento que a pornografia hegemônica faz dos corpos femininos, tornados bucetas y só, ou só cus, ou só caras retorcidas a receberem uma gozada. mas porque nesse filme imaginário as cenas se revezam como se uma tivesse olhando muito pro quadril da outra, as duas vestidas. mas uma de saia, deitadas de lado uma de frente pra outra, alguma com a mão no quadril, conversando assim qualquer bobagem ou alguma coisa muito séria. queria que não desse pra entender as palavras, só ouvir a modulação das vozes daquele jeito que dá pra saber se é uma interjeição, se uma pergunta, se uma afirmação contundente, se uma dúvida cuidadosa. então elas vão conversando, dá pra ver o pedaço da coxa de uma delas: uma coxa gordinha com alguma celulite. elas ficam tão molhadas que a roupa vai ficando com aquela mancha mais escura.

não sei como acaba, é só uma cena.

um pedaço de cena, na verdade. quem sabe um dia eu faço. por enquanto, fica morando na minha cabeça como uma representação macia de desejo. talvez colocar em imagens, sejam elas cinegrafadas, fotografadas, ou desenhadas, me faça perder o tesão. talvez a gente precise abrir mão, por uns intantes, dessas imagens homogeneizadas, plasmadas que confinam demais os desejos. não pra reforçar a divisão forjada (e forçada) entre sugestão (entendida como "erotismo") y explicitação ("pornografia"), mas pra deseducar nossos desejos. ao invés de plantar uma semente conhecida no terreno, esperar brotar alguma coisa trazida pelo vento. uma surpresa. uma expectativa de que a chuva venha molhar tudo.


"tarde pra sentir o aroma dos teus cabelos negros
negros como o tempo em dia que te vi partir
partir minha estrada vida, estrada de terra batida,
em antes e depois do dia em que te conheci

era leve o vento que senti roçar a pele
me arrastando como ao pólen
carregadas nuvens cobriam meu céu

choveu
choveu
molhando minha terra seca"iii

sem imagens fixadas pra esse pedaço de diária. pra que a gente possa fabricar umas nossas, mais inéditas, menos viciadas.

na penumbra eu sonho acordada em falar baixo na orelha pequena dela, que acho feia como todas as orelhas humanas que têm aquela entradinha alienígena, o quanto amo a pele dela, os poros, os pelos, a textura grossa, a cor escura.

quando fecho os olhos ela é inteira um abraço forte, tremido, quente. sonho acordada em tocar a pele dela enquanto toco no molhado da minha sem me mexer muito. sonho acordada apertando as coxas uma pra outra enquanto vejo os poros da coxa dela se abrindo, brotando pra deixar o desejo transbordar.



i esse texto é um amontoado de idéias conversas, discutidas, debatidas, aprendidas coletivamente. mais recentemente foi tema de uma das aulas de feminismos y teoria queer. muita gente caminhou comigo por essas palavras pra que elas chegassem até aqui... obrigada!

ii racionais mc's, negro drama.

iii ellen oléria, posso perguntar?


Posted at 09:33 pm by kinetic
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Sunday, May 10, 2009
3 horas de sono, lesbofobia no faláfel, Iansã na cabeça
ontem fomos comer, eu, lice, galega y lic no árabe do d.i. eu tava abrançando y beijando a galega enquanto pagávamos, mas dali a pouco saí. a lice sai de dentro do restaurante com uma cara de nojo e me conta que o dono do lugar disse pra ela "pede pra elas pararem com isso ou não agüento". eu quis ir embora, mas estou pensando no que fazer lá. não quis ficar porque tava num momento bom de humor, tínhamos saído de uma oficina muito massa que o lic deu sobre gênero y religiosidade no curso das promot.or.as leg.ais popul.ares - que, apesar do peso das hegemonias religiosas, dos dogmas feminísticos, dos paternalismos classistas..., teve momentos maravilhosos - y eu tinha uma reunião desconhecida na católica.
chegando lá, era pra formação de um curso em capacitação em questão racial no brasil! muito massa. pra mim, o mais massa foi ver que aprendi muita muita coisa com esses anos de experiência militante: definição de recortes, organização de conteúdo, previsão de calendário, garantia da articulação de micro y macropolíticas como parte fundamental de todas as etapas do processo... fez toda a diferença ter estado lá. obviamente saí muito mais exibida que entrei...
hoje acordei com uma ligação da minha mamãe, o que achei muito legal. eu tava tendo um sonho engraçado em que recebia um imeio com a palavra flwsa.
dormimos aqui, de sexta pra sábado, eu, galega y as gringas. sábado de manhã fomos cedinho na ceasa fazer a feira. comprei os vários limões pra começar a cura pelo limão pra minha gastrite. comecei hoje!
limão galego é muito gostoso. tatu me emprestou um livro sobre propriedades terapêuticas do limão, vou dar uma lida logo. tô nessa pilha de ler algumas coisas. ela me deu também um livro lindo, em espanhol, sobre feministas inapropriáveis/inapropriadas. terça tem reunião do kk, amanhã do fmn. na semana que passou teve reunião da préconf, fui lá pelo fmn, era no $eub. lá chegando, a recepcionista me olhou com uma cara entre nojo e descrença, perguntando "VOCÊ é aluna?"... ai que preguiça. povo racista de merda.
mas ando muito contente, diária. não é ainda a paz de espírito que tanto acho que espero, mas é uma tranqüilidade. não vou mentir que senti saudade da luana esses dias, y que estou com muita saudade da minha gatinha porque, desde que começou a trabalhar, a gente não se viu mais, nem ficou conversando horas no mecenê, como solia, y também que fiquei tristinha porque ela não veio aqui no sábado. sei que me propus a aceitar o que ela quisesse me oferecer, inclusive essa relação estranha em que sou meio que uma amante platônica, mas fiquei mordida quando tava no ônibus y li aquela merda de horóscopo quiroguiano que disse, pra gêmeos, "tempos de tranqüilidade no namoro". bastou pra eu ficar engolindo com raiva a possibilidade, forte y amarga ainda que imaginária, de que ela não me procurou porque tá tudo bem entre ela y a com quem tá namorando... mas, enfim, sinceramente tenho acreditado que, depois da lou, ninguém mais vai arrebatar meu coração, então... é só uma paixão morna resolvida de maneiras inesperadas (porque as esperadas são romance romântico).
y amanhã já é segunda-feira! como o tempo passa rápido quando a gente tem mais coisa pra fazer do que gostaria!
as gringas foram ver o terreno ontem, ficaram muuuuuuuuuuito empolgadas. ficamos conversando um bocadão de tempo sobre nossos planos de vida, tudo que vamos ter que mudar, tentando adivinhar alguns processos... vai ser muito bonito. talvez seja essa a vida que eu tanto espero, a vida gloriosa. axé!

Posted at 06:40 am by kinetic
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Thursday, May 07, 2009
nostalgia y solidão
continuo tendo medo de dormir sozinha em casa, mas tô dormindo há 3 noites. pensei em chamar minha irmã, mas tem o cachorro dela... não sei se disse, diária, mas chamei minha mãe pra me ajudar a arrumar a casa, quando ela chegou perguntou "o que tem pra fazer?", eu disse "sei lá mãe, tudo, não sei arrumar casa direito", e ela respondeu "ah, eu também não, sou péssima nessas coisas". fiquei tão orgulhosa de nós! depois chegou a and-reiazin-ha, bem no final mesmo, pra ir com ela pra águas claras, y deu um grau na cozinha. ficou massa. mas não tinha os cinquenta reais que eu tinha sonhado, na caixa vermelha - que não tava mais na cozinha. y no sonho era na caixa preta, onde tão os discos. então pode ser que eu ainda ache...
bateu uma nostalgia de ouvir das-hbo-ard conf-ess-ion-al, procurei umas músicas no youtube. uma das listas de reprodução. falar em nostalgia, cheguei agorinha do BA-RU-LH-O com o lic, ok? barulho! muito das antigas. ficamos lembrando da garagem, também. que pra mim significa dançar dançar dançar por muitas horas seguidas, y uma música que tem o refrão "fierceness... is always welcome!"
hoje é quinta, o dia em que sinto muito ciúme da gatinha. principalmente quando chego em casa, abro o mecenê, y não tem nenhum recadinho dela... eu também podia ter mandado uma mensagem em qualquer um dos 975.647 momentos do dia em que pensei nela ou ouvi alguma música ou queria dizer alguma coisa, sobre o céu do fim da tarde por exemplo. mas não fiz isso. acho jogar chato, mas é a onda dela. o que é uma coisa engraçada, porque eu é que sou a apaixonada, y estou mesmo mais que satisfeita com a amizade, o carinho, mas parece que ela fica se cobrando que nossa relação tenha alguma especialidade... meninas geminianas.
"seu cabelo está por todo lugar".
eu, hein. vou trocar por fugazi.
"como lá no fundo do mar
dentro de seu respirar".

Posted at 10:21 pm by kinetic
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y pelo amor de jah, pelo amor de jah
derrubaram o arbusto de florezinhas minúsculas absolutamente coloridas que servia de casa pra mariposas y borboletinhas perto do R.U. as mariposas eram lindíssimas, escuras com um tipo de topetinho... sei lá... agora onde elas vão morar? por que alguém corta um arbustinho todo florido onde as mariposas moram? é por essas y otras (apropriáveis) que fico pensando que o mundo não vai acabar em 2012, mas já acabou!
d.botelh.o diz pra eu parar de ser fatalista (e de usar preto), porque ainda tem muita coisa a ser feita. mas eu hoje acordei com ressaca do dia estranho de ontem, y confesso que queria só ficar dormindo y sonhando minhas coisas estranhas.

Posted at 05:59 am by kinetic
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oh maura, vem matar minha saudade...
acordei com essa música na cabeça.
acordei às 4:44 sem conseguir mais dormir, fiquei vendo o primeiro tempo do vt do flamengo x fortaleza. ver vt é muito fera porque não fico ansiosa, a gastrite agradece. ou desagradece, sei lá.
de qualquer forma, descobri que tô numa crise de gastrite. "descobri" = finalmente percebi, parei de achar que é só coincidência que todo dia acordo de madrugada com dor no estômago, que todo dia tneho que tomar chá de espinheira santa ou não fico bem.
então uma das providência a tomar é passar um dia inteiro sem falar a palavra raiva. escrever pode, calma. mas sem falar. não quero mais sentir isso. só coisas boas saindo de dentro de mim, assim chamo pra perto as de fora.
sonhei com o rafakaa.os (vou colocar o nome assim porque aí uma busca no google não me revela), que ele morava no pátio de um prédio que era um cortiço. tipo no rio de janeiro... fiquei me sentindo uma burguesa escrota que mora sozinha numa casa de 03 quartos. mas eu nem moro sozinha aqui, não sei porque sonhei isso. também sonhei que tava em sp, que lá meu celular era 9163-4250 (atenção, diária, esse número simplesmente tem o prefixo de minha preta mais o final do número da jo.el.ma); o mais fantástico é que foi a primeira vez em anos ou meses sei lá que eu me lembre que eu consegui escrever um número perfeitamente, sem ele ficar sumindo do papel ou virando outros números! eu também escrevia meu imeio, dissonante@gmail.com, quase perfeitamente! a letra não era a minha letra, era uma letra meio estranha, y faltava o "i" no gmail que eu colocava depois, meio por cima, mas a palavra ficava lá, inteira.
eu pedia uma caneta emprestada pra um cara, me abaixava no banco pra escrever, aí sentia um cachorro vindo cheirar minha cara, do outro lado do banco. quando eu olhava, não era um cachorro, mas um bode, que tava vindo cheirar minha cara sempre que completava uma volta ao redor do banco. achei isso sinistro mas não fiquei desesperada - na verdade eu tinha que escrever logo y ir entregar pra um cara -, então eu simplesmente me levantei, dei a volta no sentido contrário à do bode, e dei um pisadão firme no chão que fez ele ir embora.
eu, hein.
o cara era um funcionário do metrô que tinha sido muito simpático comigo, y como eu tava sozinha em sp queria fazer amizade com ele. mas quando voltei pra dar meu telefone ele já tinha ido embora, o que me deixou triste. aí... fui seguir a orientação que ele me deu, pra pegar a linha 1 do metrô y tentar voltar pra casa (eu saí sem endereço, sem telefone de onde eu tava...), só que tava tendo tipo monsters of rock nas estações/trens, com xous como sepult.ura, pai.n-of-sal.vation, várias outras bandas que eu nem lembro.
aí pensei "tô fodida". mas acordei.
eu, hein.
o poder perturbativo de luana me assusta. ela simplesmente encaminhou uma mensagem ciber-ativista sobre gripe suína y indústria da carne (assosiação mais que óbvia que ninguém tá ousando comentar), y eu já fiquei toda perturbada, pensando "o que ela quer?", "será que ela mandou isso sem querer - no meio de um monte de outros contatos, ou que ela mandou pra sinalizar alguma coisa?" etc etc
deusa, me faça vir menos neurótica na próxima encarnação, amém.

Posted at 05:43 am by kinetic
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Wednesday, May 06, 2009
daqui a 25 minutos acaba
esse dia que teve muitas coisas boas, como ganhar uma carona da minha gatinha, ter aula com a d.botelho, ver o douradão do céu no fim do dia, dar um beijinho apressado na galega que tava com cheiro de construção-civil.
mas teve muitas coisas estranhas, como receber um imeio da luana (daqueles encaminhados de ativismo-cibernético (?!?!?)), não receber uma mensagem de resposta da minha gatinha a um convite todo bonitinho que eu tinha feito, vê-la jogando futebol com a tal guria que namora (que, afinal, é a titular. eu sou tipo a reserva da reserva do banco de reservas), passar mal de novo na sala.
que porra.

Posted at 07:35 pm by kinetic
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comunidade é uma coisa importante
ontem também aconteceram dois episódios chatos.
o primeiro foi quando fui ao cn desbloquear o celular novo chiquetérrimo que a flá me deu; tinha 3 pessoas na frente do conjunto segurando cartazes anti-fundação-ford, i.e., aqueles que dizem disparates como pró-escolha ser assassinato. 3 pessoas, todas negras, 2 eram mulheres.
me senti sozinha. queria ligar pra todo mundo mas não me vinha pra quem ligar primeiro, acabei ligando pra ninguém.
depois cheguei na unb y fui tomar um suco de maracujá com laranja, meu favorito. passava, do outro lado da rua, o cara mais bonito da unb (bárbara, a mexicana, saberia de quem tô falando), y o cara da lanchonete, um branco SEBOSO, como sole aos brancos, ri falando pra outra guria também branca que tava lá: "lá vai nosso mucumbinho. sabe o que é mucú né?".
me deu tanta raiva! mas fiquei paralisada. nunca ouvi essa palavra antes mas ela transpirava veneno. tomei meu suco contrariada. ainda veio em copo de plástico descartável. não consegui dizer nada. só consegui escrever um poema, mas como diria minha amada ellen, isso não dá camisa a ninguém!
fiquei com raiva de mim mesma.

Posted at 07:59 am by kinetic
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Tuesday, May 05, 2009
teach me tonight
um rápido resumo pra eu ler quando estiver velha y esclerosada:
domingo à noite teve o encontro em casa de danüyfrá, licson dormiu aqui y ficamos conversando até mais tardar, segunda era aniversário da galega que apareceu aqui de surpresa depois de ter aparecido, também de surpresa, minha gatinha pra me levar pra comer peti gatô de limão que é minha sobremesa comprada favorita (atenção! "sobremesa" não é "doce" necessariamente!), também descobri que minha diária tem mais gente lendo do que eu sabia então ou eu paro de me derramar toda ou viro serm vergonha mesmo ou mudo pra um lugar bem secreto que não seja denunciado pela pesquisa do google!
enquanto isso, dinah washington canta a música mais linda, de amor, de todos os tempos. teach me tonight.

Posted at 07:24 pm by kinetic
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Sunday, May 03, 2009
dormir pra sonhar
acabei de acordar. sonhei com meu tio antonio, que eu, ele, minha mãe fátima y um cara galego, cabeludo, estávamos lavando uma pá de louça na casa do meu vô. acordei preocupada.
dormi sozinha em casa sem ficar apavorada, isso é bom. ontem, na casa da kenia, a tatu disse algo sobre eu ser uma pessoa completamente imersa na ordem do romance romântico.
fiquei pensando que em alguma medida eu era, mesmo, bastante imersa, mas tenho um bônus por fazer isso conscientemente. além disso, fiquei pensando: po, ela tá casada com uma mulher, y antes disso namorou outra por 3 anos.
enfim.
tive, no aeroporto, uma conversa com o lic sobre nosso projeto de casa. ele disse que o ximp não consegue se imaginar vivendo em uma casa onde sonja não possa entrar. oxi, more em outro lugar então.
pfffff
acordei sem sorrir. tô me sentindo roubada de minha paixão... que chato. e agora ela fica me mandando mil mensagens o dia inteiro, sendo muito mais carinhosa do que era, muito mais atenciosa...
mas não dá vontade nem de falar com ela =(
não é vergonha, não é aquela onda 'não mereço sua amizade porque corrompi nossa relação ficando apaixonada', mas de todas as coisas que eu queria dar pra ela a paixão era só o embrulho do presente. por que isso era o mais importante? =(
exposta, roubada, invadida. assim que tô me sentindo. e as deferências em excesso me deixam enfastiada.
ontem isso me deixou tão triste que chorei! eu não quero mais chorar, poxa! então tô pensando, a partir de agora, em como ressignificar isso. se vou querer minha paixão de volta, ou se vou dar um gás pra acabar logo. mas de qualquer forma quero fazer uma escolha serena, que cause menos dano possível.
enquanto não aparece, o verso "all she asks is a chance to hold me / and again the same old story" vai ficar me espetando mais que o "picture me and then you'll start watching / watching forever / watching love grow / forever letting me know" fica me abraçando.
hoje é dia de faxina! chamei minha mãe pra ajudar.

Posted at 05:09 am by kinetic
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Saturday, May 02, 2009
sem floreios, mas com flores
- ontem vi a luana na esplanada, não passei mal nem porra nenhuma;
- ontem a galega não só teve uma briga com a mãe por causa de uma mensagem que mandei pra ela, como veio me dizer que já foi a fim da nojenta daquela fulana fura-olho falsa pra caralho alemãnazi;
- ontem saí correndo da esplanada pra vir logo pra casa pra encontrar a preta y ficamos conversando até muito de madrugadão. até que ela voltou a ficar me apertando pra saber coisas sobre "a gente" até que falei pra ela o que era. na verdade não falei, dei um beijo nela. que ela não quis. fiquei triste porque esse era meu projeto de paixão não-colonizadora, e não um caminho pra chegar num beijo dela... depois ficamos conversando sobre isso até amanhecer mas eu já tava irritada e meu segredo tinha sido exposto de um jeito que eu não queria. aí o diabo da geminiana vem me perguntar se eu não acho que é unilateral... porra, que mulher! fico louca com essa mina. como assim, agora eu tenho que explicar pra ela que ela quer ficar comigo?
y os lírios que peguei pra ela no aniversário de mi flá tão deixando minha garagem toda cheirosa.
"i dare you to love me".

Posted at 08:54 am by kinetic
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